Por que pessoas muito competentes também podem sofrer com ansiedade?

Competência profissional e bem-estar emocional não são sinônimos. Entenda por que pessoas que funcionam muito bem no trabalho podem, ainda assim, viver sob intensa cobrança, preocupação e ansiedade.

SAÚDE MENTALPSICOTERAPIATERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

10/3/20262 min read

É comum imaginar que uma pessoa competente, organizada e bem-sucedida deveria saber lidar bem com a própria ansiedade. Na prática, não é necessariamente assim.

Uma pessoa pode ter uma carreira consolidada, cumprir suas responsabilidades, tomar boas decisões e ser reconhecida profissionalmente e, ainda assim, viver em constante estado de preocupação. Isso acontece porque funcionamento e sofrimento psicológico são dimensões diferentes.

Dar conta de tudo não significa estar bem.
Algumas pessoas continuam trabalhando mesmo quando estão exaustas. Continuam entregando resultados, cuidando da família, mantendo compromissos e resolvendo problemas. Por fora, parece que está tudo sob controle. Por dentro, pode existir uma preocupação constante: “E se eu esquecer alguma coisa?” “E se algo der errado?” “Será que fiz o suficiente?” “E se eu não conseguir?”

A capacidade de continuar funcionando pode, inclusive, fazer com que o sofrimento passe despercebido por muito tempo. A competência pode se transformar em uma estratégia de controle.

Para algumas pessoas, ser extremamente organizada, antecipar problemas e tentar prever todos os cenários traz uma sensação de segurança. O problema aparece quando essa necessidade de controle se torna rígida.

A pessoa pode passar a acreditar que precisa antecipar tudo para evitar erros e que relaxar significa correr riscos. Nesse contexto, a competência deixa de ser apenas uma característica profissional e passa a funcionar também como uma forma de tentar controlar a ansiedade.

O medo de errar: Pessoas muito competentes podem ter dificuldade especialmente quando associam erro a fracasso pessoal. Um pequeno equívoco pode desencadear uma reação emocional desproporcional: “Como eu pude deixar isso acontecer?” “Eu deveria ter previsto.” “Agora vão pensar que não sou tão boa quanto parecia.”

Quando o erro ameaça a percepção que a pessoa tem de si mesma, a cobrança tende a aumentar. Quando descansar também gera ansiedade.

Outro sinal frequente é a dificuldade de interromper a produtividade. A pessoa sabe que precisa descansar, mas sente culpa quando não está produzindo. Mesmo durante as férias, pode permanecer mentalmente conectada ao trabalho.

O descanso deixa de ser percebido como uma necessidade e pode passar a ser visto como algo que precisa ser “merecido” ou que "deve ser feito apenas depois de cumprir todas as tarefas".

Competência não protege contra sofrimento emocional
Ser competente pode facilitar a resolução de muitos problemas objetivos. Mas emoções não funcionam apenas pela lógica da resolução de problemas. Uma pessoa pode saber racionalmente que não precisa controlar tudo e, ainda assim, sentir ansiedade quando algo foge do planejado. Isso provavelmente ocorre pela emoção estar falando muito alto.

Pode saber que um erro não define sua competência e, mesmo assim, sentir vergonha intensa quando erra. É justamente nessa diferença entre entender racionalmente e conseguir responder emocionalmente de outra maneira que a psicoterapia pode ser importante.

Quando procurar ajuda?
A ansiedade merece atenção quando passa a ocupar espaço excessivo na vida, interfere no sono, nos relacionamentos, no trabalho, na capacidade de descansar ou na qualidade de vida. Não é necessário esperar que o funcionamento desmorone para procurar ajuda. Às vezes, o objetivo da terapia é justamente evitar que uma pessoa precise chegar ao limite para perceber que algo precisa mudar.

Caso sinta que os sentimentos estão fortes, busque ajuda profissional. A Terapia Cognitivo-Comportamental é padrão-ouro para tratamento de ansiedade, principalmente em contextos de alto desempenho.

Psicóloga Elizabeth Masotti - CRP 07/33680
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