Perfeccionismo: quando buscar excelência deixa de ser saudável
Buscar fazer o melhor possível pode ser uma característica positiva. Mas quando o valor pessoal passa a depender do desempenho e qualquer erro parece inaceitável, a busca pela excelência pode se transformar em sofrimento.
10/3/20262 min read


Buscar excelência não é, por si só, um problema. Ter padrões elevados, gostar de fazer um trabalho bem feito e querer evoluir são características que podem contribuir para o crescimento pessoal e profissional. A dificuldade surge quando não há mais espaço para errar, descansar ou simplesmente fazer algo suficientemente bem. Nesse momento, o perfeccionismo pode deixar de funcionar como uma motivação e passar a funcionar como uma fonte constante de cobrança.
Quando o perfeccionismo começa a fazer mal?
Uma pessoa perfeccionista pode estabelecer padrões muito elevados para si mesma e sentir que, mesmo quando alcança seus objetivos, poderia ter feito melhor. O problema não está necessariamente no padrão elevado, mas na forma como se lida com ele.
Alguns sinais de que o perfeccionismo pode estar causando sofrimento são:
- Dificuldade em aceitar erros;
- Medo intenso de receber críticas;
- Procrastinação por receio de não conseguir fazer algo perfeitamente;
- Dificuldade para delegar tarefas;
- Necessidade de revisar excessivamente o próprio trabalho;
- Sensação de que nunca fez o suficiente;
- Dificuldade para descansar sem sentir culpa;
- Comparação constante com outras pessoas;
- Dificuldade em reconhecer as próprias conquistas.
O perfeccionismo não é simplesmente querer fazer algo bem feito. Uma pessoa pode buscar excelência e, ainda assim, compreender que erros fazem parte do processo, reconhecer seus limites e conseguir encerrar uma tarefa quando ela está suficientemente boa.
No perfeccionismo disfuncional, o padrão pode se tornar rígido. O pensamento deixa de ser: “Quero fazer um bom trabalho.” E passa a ser: “Preciso fazer perfeitamente, caso contrário, significa que não sou competente.”
Quando o resultado de uma tarefa passa a determinar o valor que a pessoa atribui a si mesma, a cobrança tende a aumentar. O custo de nunca se sentir suficiente Uma das características mais desgastantes do perfeccionismo é que alcançar um objetivo nem sempre produz satisfação.
A pessoa pode concluir um projeto importante, receber um elogio ou alcançar uma conquista significativa e, pouco depois, começar a pensar no que poderia ter feito melhor. Assim, o sucesso não encerra a cobrança. Ele apenas estabelece um novo padrão a ser alcançado. Com o tempo, isso pode contribuir para ansiedade, exaustão, procrastinação, dificuldade para descansar e sensação persistente de inadequação.
Perfeccionismo também pode aparecer nos relacionamentos.
Nem sempre o perfeccionismo está relacionado ao trabalho ou aos estudos. Algumas pessoas estabelecem padrões muito elevados para si mesmas como parceiras, mães, filhos, profissionais ou amigos. Podem sentir que precisam estar sempre disponíveis, resolver os problemas dos outros, evitar conflitos e corresponder às expectativas de todos.
Nesse caso, a cobrança pode assumir uma forma mais relacional: “Preciso fazer tudo certo para que as pessoas continuem gostando de mim.” É possível mudar sem deixar de ser uma pessoa exigente
O objetivo da psicoterapia não é fazer com que a pessoa deixe de ter ambição ou passe a se contentar com qualquer coisa. O objetivo é desenvolver uma relação mais flexível com seus próprios padrões.
É possível continuar valorizando competência, responsabilidade e excelência sem transformar cada erro em uma evidência de fracasso. A psicoterapia pode ajudar a compreender de onde vem essa necessidade de desempenho, identificar os padrões que mantêm a autocobrança e desenvolver formas mais equilibradas de lidar com erros, limites e expectativas.
Buscar excelência pode ser saudável. Sentir que você precisa ser excelente o tempo todo para ter valor é outra questão.
Psicóloga Elizabeth Masotti - CRP 07/33680
Entre em contato: @psicoelizabeth
